Livros Paleografados

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O Projeto Memória Fazendária consiste na  proposta de publicação dos Registros de Aforamentos do Município de Cabo Frio, com o objetivo de resgatar a história política, social e econômica do município.
O Valor informativo e probatório do acervo é de extrema importância para os estudiosos da história contemporânea, no campo da pesquisa histórica e genealógica, visto que permite o cruzamento de informações com registros paroquiais, cartorários e outros.
A Secretaria Municipal de Fazenda de Cabo Frio é pioneira no lançamento do primeiro arquivo digital do País, com cinco volumes  de Registros de Aforamentos dos anos de 1842 a 1941, com cerca de 2000 páginas paleografadas.
Ao assumir a Secretaria Municipal de Fazenda no ano de 2001, o Sr. José Augusto Corrêa, sensibilizado com o volume de documentos do século XIX e início do século XX, mantidos em péssimas condições em caixas onde proliferavam fungos, insetos e roedores, passou a desenvolver e determinar diretrizes e procedimentos técnicos com o objetivo de atender a Legislação que determina a proteção da documentação histórica.
A partir do ano de 2004, ao ocupar o cargo de Secretário Municipal de Fazenda, o Sr. Clésio Guimarães resolve dar continuidade ao projeto Memória Fazendária iniciado na gestão anterior. Assim, o projeto que visava a princípio atender somente ao contribuinte, facilitando o acesso às informações antes ilegíveis, passa a ter uma abrangência maior, quando possibilita o cruzamento de dados com documentos de diversas naturezas, como cartorários, paróquias e outros, viabilizando pesquisas em âmbito municipal, nacional e internacional, como fonte primária para a análise e avaliação da importância do Poder Público, da atuação de seus representantes e da trajetória de desenvolvimento do município de Cabo Frio.

O trabalho em tela compreendeu 2 atividades distintas: o ordenamento das páginas soltas e fragmentadas e a transcrição.
A primeira compreendeu a higienização e profilaxia das páginas em sua maioria soltas. A segunda a  transcrição dos Registros, em cujos teores foram observadas normas paleográficas, o que foi imprescindível para a transcrição integral do texto de português arcaico.
Paleografia é o estudo de textos antigos, na sua forma exterior, que compreende o conhecimento dos materiais e instrumentos para
escrever, a história da escrita e a evolução das letras.
As abreviaturas correntes foram desdobradas, com exceção daquelas ainda usadas na atualidade ou de fácil reconhecimento;
• foi usada a palavra latina [sic] entre colchetes para indicar enganos, omissões e/ou truncamentos existentes no texto original;
• quando não possível a leitura de uma palavra por ilegibilidade, foram usados ífens e especificados o número de letras, ex.:[-5-], e no caso de fragmentação foi usada a palavra roto ou Fragmentado entre colchetes; Ex. em sessão do di[roto] e mês... ou em sessão di[fragmentado].
• quando uma ou mais palavras apareciam repetidas seguidamente no texto, optou-se por colocar a palavra latina [sic] entre colchetes;
• as informações escritas às margens do documento original, foram inseridas no texto entre colchetes com observação: Ex.: [escrito na lateral direita do texto] ou [escrito na lateral esquerda do texto], ou ainda [escrita na parte inferior do texto];
• as assinaturas ou rubricas ilegíveis, foram caracterizadas pela palavra rubrica entre colchetes [rubrica];• os nomes próprios foram grafados seguindo a escrita original: - as consoantes dobradas foram mantidas, ex.: Mello; as letras c, g e p mudas antes de consoante foram mantidas: Ignácio -  Baptista; a letra z em alguns casos foi substituída por s: Souza; os grupos vocálicos ea e eo foram mantidos eia: Correa, concedeo;
• as palavras e as expressões estrangeiras, foram mantidas em sua originalidade, foram utilizadas notas de rodapé para explicar, esclarecer ou ampliar informações que auxiliassem o leitor na compreensão do texto ou que servissem para compreender a razão de algumas das ações tomadas no decurso da realização do trabalho. A partir do século XVI, os padres paroquiais da Igreja Católica foram solicitados a começar a registrar batismos, casamentos e falecimentos, esses são os registros genealógicos mais valiosos em Portugal e no Brasil. Entretanto, há carência de produção escrita literária, pois, tinha sido proibida a criação de tipografias ou fábricas de papel na colônia e o que restou foi a profusão de manuscritos como cartas, boletins e pouca coisa sobre a nossa história.
Pode se afirmar que o Brasil, em termos de documentos é uma potência, porém, a organização é precária e é desprovida de um plano de preservação desse patrimônio. Na Região dos Lagos a situação não é diferente, a documentação histórica encontra-se pulverizada, em mãos de particulares e colecionadores e a grande maioria dispersa nos arquivos da cidade do Rio de Janeiro. No entanto, empenhados em reverter tal quadro, cumprimos mais uma etapa. E com o apoio do Poder Público, que outros documentos sejam preservados através dos meios tecnológicos, em respeito a todos aqueles que construíram nossa história, para agora falar às gerações futuras.

Profª. ms Margareth Silva Rodrigues Alves